O ELO PERDIDO DO SURFE - CAPÍTULO 3

CACHORRÃO DA MOLE FAREJA O ELO PERDIDO DO SURFE

Tanto na Ilha de Páscoa, Mangareva, Nova Zelândia, Hawaii, Ilhas Chatman e um sem fins de ilha distribuídas por toda a Polinésia a tradição de construção de balsas de madeira e junco se manteve até a chegada dos europeus. Os primeiros navegantes do mundo podem ter saído da costa sul americana a mais de dez mil anos 10.000 anos AC.



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Em 98, com o fracasso do MATA RANGI I, Kitin Muñoz não se deu por vencido e voltou para o Lago Titicaca, no Peru, e com a ajuda dos índios Aimaras e do junco do lago – pois a falha da primeira tentativa foi usar o junco da Ilha de Páscoa –, iriam construir uma "Nave" de 30 metros de comprimento e 7 de largura, na praia de Chinchorro, Arica, Chile, de onde partiria a missão. 


Sua pretensão era chegar até as ilhas da Polinésia e, com um pouco de sorte, ao Hawaii, utilizando os ventos e as correntes marítimas que insurgiam do sul da América do Sul até o litoral Equatoriano e se lançavam em direção a Ásia, conhecida como correntes de Rumboldt.


Mata Rangi II indo ao mar.

Após 59 dias lutando contra os elementos da natureza a equipe chegou às Ilhas Marquesas, no Taiti. Vale ressaltar que Kitin teve o cuidado de construir esta balsa com materiais e técnicas indígenas das mais tradicionais. Junto com uma família de construtores de balsas de totora, descendentes dos índios Aimaras, colheram a madeira e buscaram plantas na Floresta Amazônica da Bolívia e do Brasil, para fazer as coradas das amarras. 

Todos que participavam da empreitada tiveram a certeza de que iriam completar a viagem. Porém, não teve o cuidado de fazer uma resina especial, que demandava tempo, além do que Kitin dispunha, ocasionando o elemento surpresa da viagem: um fungo, que poderia ter se instalado nas coradas das amarras corroendo-as até romperem uma a uma.
Uma lenda conta que expedições indígenas inter-oceânicas chegavam e partiam muitos séculos antes de Colombo. E, desde que o homem conheceu o mar, teve vontade de saber o que havia do outro lado, não importando se o preço pudesse ser a vida.

CESAR SILVA, O "CACHORRÃO DA MOLE", "VOLTA AS ORIGENS"

A imagem do Balseiro, inscrição com cerca de 8 mil anos, impressiona pela semelhança com o surfe.



Para nós surfistas, tudo bem saber de tudo isso! É até interessante! Mas, o mais impressionante foi o que César Silva, mais conhecido como Cachorrão da Praia Mole, evidenciou em duas expedições chamadas de "Volta as Origens", realizadas pela costa do Pacífico Sul Americano.

São registros de inscrições rupestres, no meio do Deserto do Atacama, um dos lugares mais inóspitos do mundo, que não recebe chuvas há milhares de anos. Além dos vários tipos de desenhos montados lá com pedras, alguns em especial, chamaram a atenção de Cachorrão

Era a figura de um “Balseiro”, que assim mesmo era chamada, e que mais tarde, ao pesquisar em enciclopédias chilenas e peruanas, descobriu que elas estão lá há mais de 6 mil anos. Algumas inscrições chegam a ter mais de 8 mil anos.

Em outras recentes descobertas feitas por pesquisadores europeus e chilenos, há a de múmias, que estavam em tumbas próximas à cidade de Arica, no Chile, chamadas de Múmias de Chinchorro. 

Os corpos e os artefatos que ali estão enterrados datam de quase 9000 anos, e que o povo vivia do mar. Mas a escavação revelou ainda algo muito mais surpreendente. Os 96 corpos enterrados em camadas tinham sido todos mumificados e eram as múmias mais antigas do mundo.

Não seria inverdade se disséssemos que o surf é um dos esportes mais antigos do mundo, mesmo que naquela época, não o praticassem, exclusivamente como esporte, ou restritamente como trabalho de pesca profissional, já que, em pequenas embarcações de totora, se descarregava as embarcações maiores, que ficavam ancoradas depois da linha de arrebentação, e para isso, aproveitavam com habilidade a força das ondas para mais rapidamente chegarem em terra.


Os primórdios do surfe podem estar evidenciados nestas figuras ancestrais.
Cesar Dal Molin, o Cachorrão da Mole, traz a tona uma hipótese real sobre o significado de apenas surfar. Ele, em sua expedição "Volta as Origens", pode ter relacionado não só a prática inconsciente de um dos esportes mais difundidos ao redor do mundo hoje, que ficou esquecido por algum tempo, após chegar ao Havaí, há séculos atrás, a sua essência natural que datam de milhares de anos antepassados, como também sua crença em que tais civilizações sul-americanas possam ter atravessado a Cordilheira dos Andes e chegado até nosso litoral brasileiro e assim formado as primeira comunidades indignas.

Mais que provado, já existe certeza no meio cientifico-histórico que o Caminho de Peabiru foi a rodovia pré-antepassada mais antiga já existente, onde os nativos sul-americanos faziam suas viagens em buscas de novas terras e novos horizontes. Esta "rodovia" vai desde, Cusco, no Peru, até o litoral Sudeste e Sul do Brasil.

As imagens cravadas no meio do Deserto do Atacama, as múmias de Chinchorro, a tecnologia desenvolvida por aquelas civilizações e as recentes descobertas, mostram que as civilizações sul-americanas antepassadas podem ter sido as mais antigas e desenvolvidas da história.

No limiar de tudo isso, podemos estar praticando um dos esportes que carregam as marcas históricas mais antigas e impressionantes do mundo.
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