GABRIEL MEDINA: EMOCIONANTE E SURREAL. NASCE UM CAMPEÃO

O SURFE BRASILEIRO FICOU MARCADO NESTE DIA 05 DE JUNHO. EM IMBITUBA, GABRIEL MEDINA FEZ HISTÓRIA

Medina levantando a taça em Imbituba. Foto: Fábio Minduim / SuperSurf


Em pleno momento de êxtase nacional após a conquista de Adriano de Sousa, o Mineirinho, da etapa brasileira e da liderança do World Tour, a frente dos principais nomes como Slater, Joel, Taj, entre outros, o jovem Gabriel Medina deixa brasileiros abismados e o mundo do surf – leiam-se os gringos - assombrado. 

Medina voando para a vitória. Foto: Fábio Minduim / SuperSurf


Foi um final de campeonato eletrizante. Após as quartas de final o público aguardava as baterias de Medina ansioso. O desempenho dele foi comparado ao de atletas do primeiro escalão do surfe mundial. Nas redes sociais, na noite deste domingo, personalidades do surfe nacional se diziam impressionados com categoria e a radicalidade de Medina. Comentários do tipo “não me lembro de ter visto algo assim aqui no Brasil” ou “nunca vi nada igual”, entre outros mais, bombavam pelos facebook’s e twitter’s da vida. 

Medina carregado nos braços em Imbituba. Foto: Daniel Smorigo/ ASP South America

O choro dele ainda após a semi-final, já demonstrava a alma e a vontade do garoto em vencer. Entrava na água determinado e antes mesmo da metade da bateria, já deixava seus adversários atônitos e sem ação. Dava pra notar que, aparentemente, desistiam de persegui-lo e combatê-lo. Era a bateria de um homem apenas. Ou, um garoto somente.

O aéreo 360 graus que lhe rendeu um 9,87 nesta onda. Foto: Daniel Smorigo/ ASP South America

Ao mesmo tempo, não parecia estar numa bateria ou competição. Surfava tão solto e sem pressão, que mais parecia estar fazendo free surf, gravando imagens pra algum grande lançamento do cinema. Até o desequilíbrio após a descida inicial em sua última onda da final transformou-se em um aéreo perfeito e alto entre tantos outros que se viu em suas baterias.

As ondas da Vila, em Imbituba, mais uma vez não decepcionaram. Foto: Flavio Munduin/Supersurf

As notas recebidas por ele não são notas tão comuns vistas em uma competição que não fosse pela primeira divisão. Mesmo com o nível do campeonato e a magnitude de seu surfe, a performance dele nas baterias foi muito além do esperado, dadas as várias notas 9 e 8 e pouco, descartadas por ele em sua pontuação.

Atrevo-me a dizer que apenas um atleta internacional, dez vezes campeão do mundo – ou alguns outros mais - conseguiriam fazer frente ao surfe apresentado por este garoto de apenas 17 anos de idade, neste dia marcado na história do surfe brasileiro e internacional.


Eu, particularmente, chorei junto com ele. Assim como eu, imagino muitos brasileiros que estavam acompanhando o evento em Imbituba, ou ao vivo pela internet, ou ainda pela televisão, também se emocionaram. Ele não só surfou ao extremo, como também emocionou a todos com seu choro copioso. 

Além de Medina, uma legião de novos atletas está surgindo no Brasil. Muitos outros também estão indo pelo mesmo caminho. O surfe brasileiro começa a partir de agora a experimentar uma nova sabra de atletas que chega para arrombar a porta da frente do Circuito Mundial.
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