SOS PRAIA DO PORTO: A LUTA CONTRA O FIM SÓ COMEÇOU


ALGUMAS DAS MELHORES E MAIS HISTÓRICAS ONDAS DE IMBITUBA, EM SC, PODEM ACABAR

Há alguns semanas atrás, um grupo de jovens, surfistas, pescadores e moradores se reuniu, logo após a divulgação do destino que seria dado a Praia do Porto, em Imbituba, SC. Notaram que pelo tamanho de um projeto anunciado pela Companhia Docas de Imbituba – Empresa Público Privada, que detem a concessão do Porto de Imbituba -, através de parceiros na forma de grupos empresariais, condenariam não só a praia do Porto, mas também as praias em seu entorno, como a Praia d’Água, a Ribanceira e também a praia da Vila.

O gigantesco e ousado projeto, responsável por transformar o Porto de Imbituba num dos maiores portos do sul Brasil, tirará de seus lares os moradores dos Bairros Vila Alvorada (Aguada) e Vila Nova Alvorada (divinéia), além, é claro, condenará as ondas e o ecossistema de 3 praias interligadas por trilhas, que compõem o complexo da Praia do Porto.

Projeto de ampliação do Porto de Imbituba. Foto: ASAEP/divulgação
Durante anos a praia do Porto ficou largada ao destino, sendo mantida e em determinado tempo, por seus moradores e pescadores que amam e de lá nunca imaginavam ter que se retirar em tempo futuro. Além de um enorme esgoto jogado a céu aberto ao lado do primeiro molhes da praia, chegou-se a criar bois e vacas em plena praia durante alguns anos, fazendo com que o mal cheiro ficasse visível a quem chegava a praia. Com a atuação dos moradores e da ASAEP, isto já é quase passado.
Mesmo assim, historicamente a praia nunca deixou de ser a rainha em termos de ondas, e um dos principais palcos de avistagem de baleias francas, com direito a mirantes naturalmente instalados. O Canto do Paraná, um pico lendário que também foi engolido pela ampliação do Porto, desenhava direitas longas e perfeitas, sendo considerada a época, ao lado da praia da Vila, por quem teve o privilégio de ver e surfar aquelas ondas,  a melhor onda da região. Foi evaporada, para dar lugar aos berços  3 e 4 de atracação de navios da Companhia Docas de Imbituba.


O canto da Praia do Porto. Foto: ASAEP/Divulgação
O projeto apresentado para a praia do Porto é antigo, mas apenas agora veio a tona graças aos investimentos que estão sendo liberados pelo Governo Federal para a ampliação do atual porto, o interesse privado neste espaço logístico e a longa e recente duplicação da BR 101, que facilitará o escoamento de cargas, não só do estado matriz – SC -, bem como do Paraná e da Serra Gaucha, no Rio Grande do Sul.
Junto a tudo isso, dezenas de empresas já manifestaram o interesse em se instalar em Imbituba, como fez a maior fabricante de cimentos da América Latina, que antecipando-se a tudo isso, instalou lá o segundo maior forno para produção do produto da América do Sul.
Tudo isso vinha ocorrendo, de certa forma, em harmonia com o desenvolvimento sustentado da cidade, já que, tais empresas iriam instalar-se bem longe da ”galinha dos ovos de ouro”, as praias da cidade, lá nas proximidades da BR 101, fazendo apenas, o deslocamento de suas produções até o Porto, para assim serem enviadas a várias partes do Brasil e do mundo.
Imbituba vem crescendo a todo vapor, o comércio vem se aquecendo, os empregos multiplicam-se e a cidade aos poucos vem ganhando uma cara nova. Mas alguns moradores e defensores desse desenvolvimento sustentado, começaram uma luta sem precedentes pra defender um patrimônio turístico, ecológico e marinho, que visa, além de manter, também recuperar toda a orla da praia do Porto e adjacências.
A ASAEP – Associação dos Amigos e Surfistas da Praia do Porto, junto com moradores e pescadores locais, vêm se organizando através de reuniões semanais, manifestações pontuais e esclarecimentos a comunidade, tentando conscientizar também outras entidades a congregarem o movimento apoiando assim a causa de preservação.
Segundo Alexandro Angulista, presidente da ASAEP, “Nosso interesse é conscientizar a comunidade que nós crescemos e vivemos alí a nossa vida toda, e não é uma empresa que simplesmente pode chegar assim, e nos expulsar, acabando com o ganha-pão de muitos pescadores, condenando o fim das ondas da praia do Porto e outras praias da região. Tem muitas famílias que dependem da praia e do mar pra sobreviver.”
Reunião com a comunidade. Foto: ASAEP/Divulgação

Ele reclama que o Porto já tinha este projeto há muito tempo, “mas falavam que era pra daqui a muito tempo”, completa Angulista. “Há umas 3 ou 4 semanas, quando a Associação de Pescadores nos procuraram, eles já estavam a par da situação há bastante tempo e nos pediram pra ajudar a divulgar a causa. Esperamos chamar a atenção de muita gente para o que querem fazem com a praia do Porto. Eles – o Porto – estão lá trabalhando quietinhos, mas a gente não.”Entramos com uma ação civil pública no ministério público federal contra toda essas ações. Estamos no aguardo de uma resposta do ministério", completa Tiago Silvano, da ASAEP, um dos envolvidos no protesto.
Há várias manifestações e passeatas já programadas, como a deste dia 31/10, que será feita em frente ao forum da cidade, e como a que aconteceu neste dia 30/10, nas comunidades envolvidas, como mostra o vídeo acima.

Mais informações: sospraiadoporto@hotmail.com


Por Eduardo Rosa
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