AS FITAS K-7 E O SURF ROCK GAÚCHO DOS ANOS 80

A CAMINHO DO SURFE, MAS MUITO BEM SONORIZADO

Capa de um dos discos da banda Replicantes na década de 80. 

Anos 80... A rapaziada que podia, viajava para fora do país, para saciar a curiosidade em surfar ondas perfeitas, e que ouviam de outros poucos remanescentes, contarem em narrativas tão exaltadas com as sessões 'lisérgicas' de surf, encontradas em picos mundo afora, como Chicama, Califórina, Austrália, Hawaii e Indonésia, traziam na bagagem algo mais, que apenas histórias e roubadas.

O surfe já não engatinhava mais aqui no Brasil, enquanto lá fora, a explosão de bandas de surf music, acontecia a todo vapor, e já embalavam as sessões de muito free surfer ou competidor. E quem ia, sempre voltava com alguma novidade. Além de pranchas gringas, neoprenes e outros acessórios, traziam também fitas K-7, que eram reproduzidas e regravadas em velocidade e quantidades incontroláveis.

Surfistas gaúchos viajavam mais de 300 Km até Garopaba, ao som de bandas como TNT, em toca-fitas existentes a época..

Bandas ficaram conhecidas por aqui, mesmo estando do outro lado do mundo. E nem imaginavam no sucesso que faziam por estas bandas, entre a galera das pranchas.

Em meio à 'fumaça' da novidade, alguns gaúchos reuniam-se para dar continuidade ao trabalho de algumas bandas já existentes, que tentavam, de alguma forma, fazer rock num estado tão cheio de tradições. Mas serviram de empurrão para que outros conterrâneos, que viviam mais próximos do mar e das ondas, tentassem algo novo. Surgia então, o surf Rock Gaúcho.

Os Garotos da Rua também faziam sucesso entre a galera do surfe a época.

Além da expressiva quantidade de praticantes na região, conseguiram atrair ouvintes no estado vizinho, Santa Catarina. A coisa cresceu tanto, que shows começaram a ser marcados em solo barriga verde. Durante o inverno, ou principalmente no verão, quando Garopaba começava a se tornar destino obrigatório da gauchada, eles traziam novos hits, quase sempre fazendo referencia ao surf.

Mesmo com discos de vinil já produzidos, em pleno território “gauchesco”, o que valia mesmo era ter uma fita k-7 gravada, prá rolar no toca fitas do carro, já que vinil só se ouvia em casa. As surf trips ficavam ainda mais emocionantes.

Já nos anos 90, a banda Off The Wall - que contava com Manglio Bertolucci, um dos maiores expoentes do surfe gaúcho -  tentou resgatar novamente as raízes da surf music no Rio Grande do Sul.

Replicantes, TNT, Garotos da Rua, Urubu Rei – que formou um dos maiores críticos de música do país, Miranda, que foi por anos, editor da antiga Revista Bizz -, De Falla e até Engenheiros do Hawaii. E isso, só para citar algumas. Surfista Calhorda, dos Replicantes, Cachorro Louco, da banda TNT, entre outras, foram alguns dos hits que faziam a galera esquecer um pouco o que vinha de fora do país.

Antes do final dos anos 80, já eram ouvidas em outras partes do Brasil, já que grandes campeonatos de surfe atraíam a atenção da galera aqui pro sul. E assim, o surf rock gaúcho ficou conhecido no resto do Brasil. E até hoje, tem gente reclamando da falta de opções em solo nacional.
Postar um comentário