NAMÍBIA: UMA DAS ÚLTIMAS FRONTEIRAS

DESERTO, LEÕES MARINHOS E TUBARÕES, DIAMANTES, NAUFRÁGIOS, ÁGUA GELADA E... SURFE!!!

Cape Cross. 
Primeiro adquira um bom mapa que figure o litoral atlântico sul do continente africano. Verifique que logo acima da África do Sul e ao lado de Botsuana e Angola, fica a Namíbia. Um país que, assim como Angola, já foi alvo de disputas pelo diamante extraído de suas reservas naturais.

Tem formação desértica, extremamente árida, em quase todo o seu litoral, onde animais espreitam por uma caça furtiva. Os tubarões nem sempre aparecem, mas estão lá rodando a costa e esperando uma presa fácil. Ah, e ainda tem os ‘Seals’, um tipo de leão marinho, que costumam ficar em bandos de centenas ou milhares em plena praia. Não são agressivos, mas quando se sentem ameaçados, eles podem atacar como já houve registro em 2008.

Entrada para a Costa do Esqueleto.

Recentemente, a Sea Shepperd fez uma campanha na Namíbia para conscientização de todos sobre a matança de “seals”, que vinha ocorrendo há anos. Eles eram mortos a pauladas em plena praia, inclusive filhotes, ou então, ficavam “desgarrados” de suas famílias. Autoridades locais disseram que este foi o primeiro registro de ataques de um “Seals”. Possivelmente, algum animal que tenha vivenciado um ataque a algum ente seu próximo.

Os "Seals" tomando sol em frente as ondas de Cape Cross.

A relativa quantidade de restos de barcos e navios encalhados e largados ao tempo, também impressiona. Acabam se incorporando ao ambiente. Pelos relatos que existem, muitos foram atraídos para costa por enormes tempestades e outro fator, ainda que não o principal: A Corrente de Bengala, que sobe pela costa africana, advindas do Oceano Índico ao dobrar o Cabo da Boa Esperança na África do Sul. Ela junta-se as correntes do Atlântico e varrem o litoral, continente acima, e trazem águas extremamente gélidas.

Resultado de um ataque de um "seal" na Namíbia.

Mas, esta mesma corrente que ajudou a causar tantos naufrágios, também faz a alegria dos surfistas que se aventuram em um lugar tão inóspito. Extensas praias rodeadas por areia, pedra e cascalho, reservam surpresas em vários pontos da costa. As dunas Barkhan fazem parte do roteiro pelo caminho e sem um bom off road 4X4, pode-se até ficar pelo caminho.

Mais uma esquerda perfeita no deserto da Namíbia,

São inúmeras ondas perfeitas e longas. As correntes, e os constantes dias com vento terral, moldam uma onda típica de grandes picos de surf. Os fundos variam de areia a reef breaks, e algumas saídas de rios.

A costa da Namíbia e a coleção de navios encalhados. Um dos motivos que deu nome a Costa do Esqueleto.

Ao longo da Costa do Esqueleto (Skeleton Coast) – ao norte do litoral namíbio –, há uma área de preservação restrita a pesquisadores e algumas outras “autorizações” concedidas pelo governo da Namíbia. Mas, para quem esteve tão perto dessa região e surfou tantas ondas perfeitas, ao longo do litoral, entende que o potencial do local é enorme. Ainda na Costa do Esqueleto, Terrace Bay possui um pequeno e caro resort voltado para pesca esportiva.

David Richardes, Ludereitz, Namíbia.

Numa região cercada de pedregulhos e areia, fazendo lembrar a superfície lunar, não estranhe se os funcionários do resort olharem com perplexidade ao ver você sair correndo com sua prancha embaixo do braço. Surf ainda é pouco comum nesta região. E se você correu é porque têm altas!

O frio intenso, e uma forte corrente em direção norte, ladeiam este paraíso de ondas pra esquerda. Só vale ressaltar, que esta corrente, muita vezes, está tão forte, que o ponto exato da entrada no mar faz muita diferença para posicionar-se no pico.

A chegada a Terrace Bau, na Costa do Esqueleto.

Seguindo em direção sul, encontra-se uma das ondas mais longas e perfeitas da Namíbia. Cape Cross é um pico razoavelmente de fácil acesso, em frente a localidade que dá nome ao pico, e nas condições certas, longos tubos se alinham com a praia. Por vezes, costuma ficar repleta de “seals” descansando e tomando sol nas suas areias. Esta não é uma cena rara em vários picos da Namíbia.

Onde as ondas de Cape Cross quebram.

Continuando para o sul, uma série de outros points com ondas perfeitas, se completam pelo vasto deserto. Pebble Beach, Wreck, Tiger Reef, Paradise, Guns, Sandwich bay, entre muitos outros, alguns, poucas vezes surfados.

Outros escondidos por encostas de areia e pedras. Para quem gosta de lugares 
incertos, selvagens e com ótimo potencial de ondas, a Namíbia é o lugar certo.

 

Em tempos passados, alguns poucos aventureiros haviam atravessado os limites de uma África fechada para “forasteiros”, e que contavam “lendas” de ondas perfeitas num lugar hostil. 

E, como vem se constatando nos últimos anos, a costa africana hoje, é um tesouro que ficou praticamente fechado por guerras e intolerâncias cruéis, mas que agora vem sendo desvendado aos poucos por outros surfistas e aventureiros.

(Publicado Originalmente no Camerasurf)
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