A FUTURA NOVA SEDE DA ASI. O QUE AINDA NÃO FOI DITO


Sob pressão, entidade se apressa para não “perder” área no canto da praia da Vila que poderia ser “leiloada”.

A praia da Vila aguarda uma decisão sobre a construção da nova sede da ASI. 

Em algum apagar das luzes, tempos atrás, a Cia. Docas Imbituba cedeu para a Prefeitura, parte de um terreno no canto da praia da Vila, em Imbituba. Ali seria aberta a possibilidade de algum aproveitamento para um fim comercial ou não.

Antecipando-se a isso, a ASI – Associação de Surf de Imbituba – recebeu por doação da Prefeitura o imóvel citado, onde um antigo sonho de alguns integrantes da entidade pode agora virar realidade. A construção de uma sede própria e um quiosque que poderia atender aos frequentadores do canto da praia da Vila durante a temporada de verão, e assim render algum dividendo financeiro para a ASI.
Área que poderá ser utilizada para a nova sede da ASI no canto da praia da Vila. 
Além da sede, um centro de treinamento de atletas, um depósito e uma área de informações turísticas estaria incluso neste projeto. A ideia, segundo Katz Fernandes, presidente da ASI, “é reunir toda a estrutura em um só local, tornando a entidade muito mais funcional.”

Apesar de ser um sonho antigo de alguns, para outros seria o começo do fim. A viabilização deste projeto, poderia abrir a possibilidade, num futuro próximo, da construção de outras pequenas edificações, como outros quiosques, por exemplo, deixando assim, o saneamento básico da área comprometido. Como se sabe, quase toda aquela área foi aterrada por pedras pelo Porto de Imbituba há muitos anos atrás, e o esgotamento de dejetos poderia ser um sério problema.

Além disso, apontam também a alteração paisagística que o ambiente do local sofreria, e que já aconteceu em tempos passados, quando da instalação e ampliação do porto. Para eles também, a ASI deveria ter se preocupado em ajudar a preservar a área, e não ter aceitado qualquer tipo de expropriação ou arrendamento da área para qualquer fim, senão, para mantê-la ainda preservada como está. 

Para alguns praticantes de outras praias, é visível a ingerência de outras picos propícios para o surfe, e que também precisam ter a atenção da entidade. Para eles, a ASI hoje, apenas tem se preocupado em realizar eventos e esquecido de uma de suas metas, elencados por seus associados como um dos pontos principais de qualquer gestão: a preservação de um bem essencial para a manutenção desse esporte que é praticado e vivido junto a natureza.

Parece propícia a abertura desta discussão por parte de todos, por já haverem exemplos mal sucedidos em outras cidades, assim como em outros estados, que sofrem com a falta de estrutura turística e ecológica que hoje em dia prejudicam inclusive o turismo. Quando o primeiro passo for dado, talvez seja tarde demais para controlar qualquer situação.
Um dos maiores palcos de surf, a praia da Vila, poderá receber uma sede da ASI.

E com o sucesso que a cidade fez nos últimos anos, com eventos nacionais e internacionais de surf, as praias de Imbituba podem ter se tornado uma “galinha de ovos de ouro” para muitos aproveitadores que irão pensar apenas no lucro rápido e fácil. Nada contra o desenvolvimento turístico de Imbituba, que deverá mesmo continuar ocorrendo nos próximos anos. Mas para que a cidade continue sendo um exemplo de desenvolvimento ordenado para outros municípios, certas decisões precisam ser muito bem discutidas para não caírem no descaso, muitas vezes com interesses duvidosos.

E ainda, com as atuais eleições municipais a caminho, muitas dúvidas devem ser muito bem esclarecidas para quem vive o dia a dia e o surf nesta cidade, que é uma das mais importantes no cenário nacional e internacional do surf.


Por Eduardo Rosa



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