WAVEGARDEN: SERIA O FUTURO DO SURF OU UMA SOLUÇÃO PARA O CROWD?

DIVERSÃO NUM FUTURO AINDA QUASE INATINGÍVEL

Desta vez, o futuro do surfe ou uma solução para o crowd? Foto: Wavegardem

Desde quando foi desenvolvida a primeira onda artificial no mundo, visionários às apontavam como solução para os 'males' que o crowd traria num futuro próximo, dada a grande penetração que o surf vinha tendo ao redor do mundo, sustentado pelo crescimento do esporte, e pelas razões que nós, surfistas, já conhecíamos.

As piscinas de onda artificiais, com motores de propulsão para gerar ondulações, fizeram a alegria e a tristeza de alguns poucos que disputavam o Circuito Mundial na década de 80. A péssima qualidade destas quase microondas, afastaram os atletas dessa possibilidade, e por um bom tempo aquelas imagens ficaram apenas na memória de quem viveu esta época.

Tom Carrol fazendo água numa piscina de ondas artificiais em uma distante etapa do mundial de surf da ASP. Foto: ASP/Ray Hallgreen

Há cerca de quase duas décadas, uma nova modalidade de ondas artificiais surgiu, e atiçou algumas cabeças pensantes no meio do surf. Um fortíssimo jato de água era lançado sobre uma parede em elevação, criando uma onda única, rodando no mesmo lugar.

Difícil de se equilibrar, foi utilizado de forma sistemática em exposições por alguns países, mas notou-se que, de tão diferente - até o equipamento necessário não 'batia' com o que já conhecíamos - acabou esquecido pelos reais surfistas, e transformou-se numa 'dissidência' do surf.

Até em rios ondas foram descobertas e surfadas por horas cada uma delas, e também tiveram grande destaque na mídia, como as pororocas na Amazônia, na China e até na Indonésia, um paraíso de ondas salgadas e perfeitas. Inclusive no frio rigoroso da Alemanha, surfou-se uma onda estática e imperfeita. 

Jeremy Flores e Patrick Beven na nova versão Wavegarden.



Em 2005 - então, neste novo milênio -, o engenheiro Josema Odriozola e a economista Karin Frisch, decidiram unir seus conhecimentos na concepção e construção de instalações desportivas, unindo suas paixões, principalmente skate parks e surf.

Estavam dispostos a criar um surf spot, longe de qualquer praia com água salgada e, ainda, com ondas internacionais. Nascia então, no meio de uma fazenda ao norte da Espanha, o projeto Wavegarden, com toda uma tecnologia ainda inimaginável, e aparentemente, com tão pouco.

Começava então, uma migração interessante, de vários surfistas dos mais diversos calibres - convidados ou não - para experimentar esta nova possibilidade real de produção de ondas em qualquer ambiente. 

Gabriel Medina, fazendo sua estréia no Wavegarden. Foto: Wavegarden.

Enquanto eles chegavam e se divertiam, Josema ia expandindo suas idéias e já desenvolve uma nova possibilidade; a de produzir ondas de até 6 metros com frequência e perfeição ideal. 

Para os puristas do surfe, que afloram seus ânimos ao cogitar possibilidades como o atual crescimento econômico e populacional do esporte, com mais 35 milhões de adeptos e em franco crescimento, e a presença efetiva nos próximos Jogos Olímpicos, será um duro golpe. 

Mas, ao mesmo tempo, a garantia de mais 'espaço' para se praticar o 'esporte dos deuses', em diferentes e remotos lugares, com surf parks espalhados pela costa e pelo interior, absorvendo grande parte do crescimento que o esporte trará, trazendo, também, tranquilidade aos que acreditam no real futuro do surfe.

Abaixo, segue a entrevista com Josema Odriozola, um dos idealizadores do wavegarden.


O País Basco tem uma cultura relativamente jovem. Como é que tal invenção revolucionária de surf saiu do norte da Espanha?

JO - Surfe ainda é um jovem esporte para nós, mas já faz parte da cultura esportiva em nossa região. Nossa região do País Basco é o centro de máquinas, ferramentas e de engenharia especializada.

Qual foi a melhor parte sobre o projeto Wavegarden para você?

JO - Primeiro, o desafio tecnológico de criação de tal invenção, e segundo, o que torna este projeto muito especial para mim, é que nós estamos criando algo que faz as pessoas felizes.

Qual foi o maior desafio na criação desta onda?

JO - Obviamente, a quantidade de dinheiro necessária para desenvolver algo parecido com isso, e também a quantidade de incógnitas envolvidas. Estamos fazendo coisas que nunca foram feitas antes, tudo a partir do gerador de ondas para os sistemas eletrônicos e para filtração.

Qual é a próxima possibilidade para a equipe Wavegarden?

JO - Nossa próxima tarefa é criar a maior versão de 6 metros de altura de onda, com freqüência ideal e a mesma qualidade perfeita. Estamos trabalhando para projetar as margens da lagoa de uma forma que maximize a quantidade de ondas para todos.

Mais informações sobre Wavegarden, clique aqui.

Por Eduardo Rosa
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