PERDEMOS A CHANCE. MAS, QUEM SABE, O RECADO FOI DADO.

PERDA DE UM SURFISTA ABRE UM ABISMO EM SANTA CATARINA

'Praia da Guarda dos meus sonhos'. 

Dizer que o crime ocorrido na última segunda feira, na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça, foi um caso isolado, não convém. Isso acontece em todo Brasil. Mas, também não foi apenas mais um.


Assim como, não é difícil premedita-los, como fez o próprio Ricardinho dos Santos ainda em 2011: “Eu diria que os moradores não fazem nada porque ficam com medo de tomar um tiro, e tudo isso já vem acontecendo nas outras praias do estado”.

Muitos também têm esta ‘bola de cristal’. Entramos atrasados na onda do turismo, e copiamos o modelo nordestino, que antigamente recebia verbas polpudas, por terem mais ‘representatividade’ em Brasília.

Praia do Rosa, talvez um caminho sem volta.

E, sucessivamente, foi-se copiando essa ‘onda’. Primeiramente, o norte de Santa Catarina entrou no boom do crescimento desordenado e frenético chamado ‘turismo’. Depois a Capital, e agora quem havia sobrado.

A praia da Guarda do Embaú, na década de 80, era referência de paraíso intocado. Uma pacata vila de pescadores que atraía uma pequena legião de turistas, além de hippies, surfistas e surfistas hippies. Mas, de alguns anos pra cá, chega a fazer seus moradores pensarem em voltar no tempo. 
Outras cidades no estado estão caminhando para o mesmo ‘abismo’. Nos últimos verões, quando as cidades se enchem de turistas, e isso por um lado é bom, traz lucratividade para o comércio e hotéis, mas atrai também o que de pior possa aparecer. 

Aumentam os arrombamentos, os roubos de veículos e o tráfico de drogas e nos fins de semana, mesmo fora da temporada, praias são invadidas à noite por jovens e menores atordoados pela bebida e as drogas. 


O som alto dos carros incomoda os moradores próximos. E também ao Ricardinho, lá na Guarda do Embaú: “Eles ficam com seus carros de som à noite toda circulando no meio da praia, tocando uma musica medíocre no volume mais alto possível”. 

Deixam pra trás lixo, como garrafas quebradas ou qualquer outra coisa que possa nos acometer um acidente no dia seguinte. E a ‘sorte’ – ou azar mesmo - é que isso não acontece somente em Imbituba. 

A rigor, turismo desenfreado e a exposição desmedida, imposto através da pressa, acabam sendo um ‘tiro direto no pé’ da população. E não falo isso apenas como imbitubense, que vê sua cidade caindo nesse conto, copiando algo que já existe - e que é muito mal feito - e vendendo muito barato suas belezas naturais que, pra quem visita é um espetáculo. 

Praia da Vila, Imbituba. Foto: Anderson Serginho.
Sim, Imbituba vai crescer, mas pra que a pressa?! Florianópolis viveu tudo isso, e hoje tem sérios problemas logísticos e de mobilidade. E não me venham dizer que é uma ilha, pois também é a Capital do Estado. 

E se este ‘crescimento’ não for friamente calculado por aqui, de maneira precisa - palavra essa que levanta tantas possibilidades, como o saneamento básico eficaz para sua própria população, por exemplo -, pode trazer para bem próximo o fim de algo que um dia atraiu tanta gente. 

Ainda temos uma chance de tentar algo diferente do que já existe, mudando os rumos do turismo e não dos turistas e de seus moradores. Ricardinho foi um exemplo em vida, e após ter falecido, deixou também esta marca que está sendo raivosamente criticado e discutido nas redes sociais e nos meios de comunicação no Brasil todo.
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