BANCO DO TEMPO FAZ SUCESSO EM GAROPABA E REGIÃO

IDEIA SURGIU ENTRE GRUPO DE AMIGOS E NÃO PAROU MAIS DE CRESCER



Zeno Castilho, guia turístico e um dos idealizadores do Movimento Rosamor, que freqüentemente realizam a limpeza das praias do Rosa, em Imbituba, e também em Garopaba, e ainda detém em uma campanha para confecção de placas pintadas por qualquer pessoa, que queira deixar sua mensagem para preservar e manter limpa a praia do Rosa, aos milhares de turistas e visitantes que frequentam aquele paraíso todos os anos, há cerca de um mês criou o Banco do Tempo.

Uma ideia inovadora que já surtiu efeito em outros países, como Portugal e Argentina, consiste em qualquer pessoa, que preste serviço técnico ou profissional em qualquer área de atuação, ou mesmo, que esteja disponível para ensinar ou realizar alguma atividade, possa o fazer trocando horas de serviços prestados por horas de algum serviço que lhe interesse. 


Tainá Lazzini entregando duas placas para Zeno

As proporções tomadas até o momento pelo Banco do Tempo fizeram Zeno buscar ajuda com outros colegas para manter a ideia ativa, os quais adoraram a formula e se dispuseram a ajudar. Todos aderiram e trabalham em conjunto, inclusive criando novidades, como a ‘Fórmula Mágica’, por exemplo, criada por Ique Campos, que consiste em receber horas adicionais para o próprio Banco e “distribuí-las fazendo o bem”, como os próprios idealizadores se referem.

Ique foi um dos que assumiram integralmente o Banco do Tempo, inclusive criando o desenho, e segundo Zeno, "nosso irmão de alma que tanto se dedica ao grupo e elaborou todos os desenhos, a formula mágica, e se empenha diariamente no cadastro de pessoas, movimento de créditos, etc... Sem ele o banco não estaria funcionando. Sem a energia linda das pessoas que participam também não. Eles são as almas amplas que se encontraram nesse espaço eletrônico".

Em entrevista ao Surfemais, Zeno explica como tudo começou, como acontece e sua projeção para o futuro do Banco do Tempo.

Surfemais: Como Funciona o Banco do Tempo?

Zeno Castilho: Funciona assim, por enquanto, você deposita quatro horas de seu talento, que ficam disponível para os outros associados do Banco, onde há uma lista fixada no início da pagina. A partir da publicação do seu nome e seu talento disponível na lista, você já está apto a consumir os serviços dos outros associados em até quatro horas. Para consumir mais é só prestar serviços, pois cada hora sua prestada conta como um crédito pra você.
Então, a partir daí, você vira sócio do banco do tempo, ou está em associação com as outras pessoas do banco, quando faz seu depósito, e ele é publicado na lista de serviços disponíveis

SM: O sucesso, entre todos que tem participado, tem sido geométrico, pelo que se tem acompanhado, como você controla os acessos e mensagens que chegam?

ZC: Na verdade, não consigo responder todas as mensagens, e já passou de 100 não lidas. Mas a formula mágica do Banco - sim tem a formula mágica!!! -, é assim: por exemplo, você depositou quatro horas pra ensinar a consertar computador, mas a cada hora aula que você deu tinham cinco alunos, você recebe as quatro horas que você deu, eles pagam as vinte horas deles, e o banco fica com a diferença, dezesseis horas pra fazer o bem por quem precisa na cidade. Não é show?!!

SM: E como surgiu esta idéia de montar o Banco do Tempo aqui? Ela não é nova, não é?

ZC: Então, eu li a reportagem sobre o banco de tempo de Portugal, e tinha participado de alguns movimentos de trocas de serviços, que tinham sido bem legais, e pensei um dia abrir um grupo na internet pra discutir o assunto.

SM: Quantas pessoas ou negócios já aderiram ao banco?

ZC: Abri o grupo no facebook, pra não esquecer de abrir, e coloquei algumas pessoas e fiz o primeiro depósito. A coisa bombou, de uma hora pra outra, e em duas semanas já tinham se cadastrado mais de mil pessoas que participam do grupo e 109 se associaram ao banco. Não faz um mês ainda, e já rolou um monte de coisas legais. 

SM.: Aproximadamente quantos serviços ou negócios já aconteceram no Banco do Tempo de Garopaba?

ZC: Um monte! Nunca consegui contar. Mas já teve muro consertado, vários computadores também, jardim e hortas feitas, trilhas, palestras, aulas de yoga, banhos em cachorros, sendo que uma pessoa que recolheu muitos cães de rua e não tinha como passear com eles, e foi ajudada e vários integrantes do banco do tempo se doaram para passear com os animais. Foi demais isso! Já rolou até namoro!! São 2 almas lindas que se encontraram e continuam juntas. Aulas de crochê, leitura para idosos, massagens, aulas de jiu jitsu, cuidadores de crianças, de idosos, doações, e agora estamos nos preparando pra fazer a ‘Gratisfeira’. 

SM.: O que é a ‘Gratisfeira’?

ZC: Você leva o que você tem para doar, e doa. Todo mundo leva, e todos doam. E quem quiser, pega o que lhe interessa, é grátis. Eu, por exemplo, vou levar umas bermudas e umas camisetas pra doar, entre outras coisas. A ideia foi Gabriela Lopez que propôs. Achamos legal e está pra sair a qualquer momento.

SM: Pelo Facebook as pessoas hoje são chamadas ou contratadas via Banco do Tempo então, e como você já disse, dá muito trabalho controlar tudo. Há alternativas para começar a sanar essa deficiência, se assim pode-se chamar? 

ZC: Sim. Já estamos combinando de montar uma agencia física do banco. Uma banca na feira do engenho - em Garopaba - nos finais de semana onde todo mundo pode se cadastrar e fornecer serviços, bem como contratar.

SM.: Até onde você acha que o Banco do Tempo pode chegar?

ZC: Creio que não vai parar mais, pois a tendência é só aumentar e crescer. E quanto mais pessoas têm acesso a serviços de qualidade sem investir dinheiro, e sim investindo seu tempo e talento para fazer o bem a outras pessoas, mais irão perceber que felicidade, momentos felizes, e qualidade de vida, não dependem de dinheiro. E sim, de uma combinação entre as pessoas, e da boa energia dos envolvidos.
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